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    03.Mar - Esta religiosa construiu um moderno centro para pessoas com Aids

    O estabelecimento está localizado em Upendo, noroeste de Nairóbi, capital do Quênia, na Diocese de Nakuru. Este centro possui um dispensário, uma fábrica de água e uma fazenda com cabras leiteiras e galinhas. Segundo os últimos dados de 20 de janeiro, o centro registrou um impacto em 13.508 pessoas, incluindo as infectadas pelo HIV e outras de vários grupos vulneráveis.


     


    A fundadora é Ir. Florence Muia, da Congregação das Irmãs da Assunção de Nossa Senhora de Nairóbi, que obteve recentemente o título de Phd. em Estudos da Paz e Conflitos pela Universidade de Ciência e Tecnologia Masinde Muliro.


     


    Os pacientes do grupo de apoio de Upendo Village afirmaram que há dez anos, quando foram diagnosticados com o vírus, pensavam que estariam condenados à morte; no entanto, Ir. Florence lhes devolveu a esperança de viver quando os asseou, alimentou e contou-lhes sobre o amor incondicional de Deus.


     


    “Ir. Florence me encontrou deitada sozinha no quarto onde me abandonaram. Minha contagem de CD4 era apenas dois, estava morrendo”, disse Margaret, uma dos membros mais antigos do grupo de apoio. Margaret estava em uma situação crítica, pois tinha apenas duas células CD4 por milímetro cúbico de sangue, quando o normal oscila entre 500 e 1600.


     


    Em declarações à ACI África – agência do Grupo ACI –, a religiosa compartilhou detalhes de sua vida, sua motivação para a fundação do centro, os desafios passados ​​e como é atualmente.


     


    Primeiros anos e vocação de Ir. Florence 




    A religiosa, quinta de nove irmãos, nasceu em uma família muito humilde no Quênia, em 1957. Sua mãe era dona de casa e seu pai trabalhava em muitos empregos. Terminou o ensino fundamental, mas teve que abandonar o ensino médio devido à falta de recursos.


     


    “Nós éramos muito pobres. Minhas três irmãs mais velhas só fizeram o ensino fundamental, porque era isso que minha mãe, uma mulher camponesa, podia pagar”, disse Ir. Florence. "Repeti a aula duas vezes para que meus irmãos mais velhos fossem admitidos no ensino médio", acrescentou.


     


    “Minha mãe nunca foi batizada e quase nunca ia à igreja (...). Minha avó foi quem nos levou à Igreja. Eu a acompanhava para todos os seus grupos de oração na cidade”, contou Ir. Florence. Disse que sua avó a levou à Igreja pela primeira vez na quinta série e, durante esse período, conheceu várias religiosas e participou de atividades na paróquia.


     


    Algum tempo depois, Florence fez aulas de catequese, foi batizada e recebeu a Primeira Comunhão. “Trabalhei sozinha pela minha fé. Eu não fui batizada quando era bebê. Eu assisti às aulas de catecismo e fui batizada quando tinha 15 anos”.


     


    Quando era pequena, sentiu a vocação de ser religiosa e um interesse pelo trabalho social, porque ficou “tocada pela humildade das freiras” que trabalhavam nos colégios e na paróquia. "Eu queria ser capaz de poder impactar na vida dos menos privilegiados", disse.


     


    Florence ingressou na Congregação das Irmãs da Assunção de Nossa Senhora de Nairóbi em janeiro de 1976 e fez sua primeira profissão de votos em 27 de dezembro de 1978. Dez anos depois, voltou à escola para terminar seus estudos e, em 1985, serviu como sacristã do Papa João Paulo II durante o Congresso Eucarístico Internacional de Nairóbi.


     


    Depois, matriculou-se e se formou com honras em Sociologia e Antropologia, em 1996, na Universidade Católica da África Oriental (CUEA). Mais tarde, ganhou uma bolsa de estudos e se formou no mestrado em "Aconselhamento Pastoral", pela Universidade Jesuíta dos Estados Unidos, em 2001.


     


    Ir. Florence e as pessoas com HIV e Aids




    Nos anos 1990, Ir. Florence trabalhou como oficial de liberdade condicional do Ministério do Interior e do Patrimônio Nacional, onde testemunhou o tratamento discriminatório e desumano de pessoas que sofrem de HIV e Aids devido a estigmas e ignorância sobre o tema.


     


    No centro de liberdade condicional de Nakuru Girls, em Naivasha, viu a demissão de muitas mulheres por terem HIV ou Aids, e outras que não podiam trabalhar devido à sua saúde precária. Quase 700 pessoas morriam todos os dias em todo o país e, quando morriam, "eram enterradas em sacos de polietileno, porque as pessoas tinham medo de serem infectadas ao entrar em contato com os corpos", assinalou a irmã Florence.


     


    “Perto de 1999, o presidente declarou o HIV um desastre nacional. Naquela época, havia muita ignorância (...) e já havia muita rejeição por parte das pessoas mais próximas dos infectadas”, afirmou. "Eles eram chamados de 'animais' ou 'monstros'", acrescentou. "Além disso, achavam que a doença era contagiosa, por isso os trancavam em casas pequenas e os deixavam morrer”, explicou. Naquele ano, a doença matou 760 mil pessoas no Quênia por não terem acesso aos medicamentos necessários.


     


    A religiosa recordou que realizou trabalhos a favor de pessoas com HIV quando era estudante nos Estados Unidos, porque trabalhou para aprovar o projeto de lei que promovia a doação de medicamentos para tratar esse vírus e a Aids em países em desenvolvimento, como Quênia.


     


    "Trabalhei com um lobby em Wheaton para apoiar o projeto de lei apresentado pelo Senador Hyde ao governo para financiar o tratamento do HIV", disse. Em 2008, a lei foi autorizada novamente pelo presidente George Bush, permitindo um maior acesso aos retrovirais.


     


    Quando começou a participar de conferências sobre HIV e Aids, viu o apoio que os pacientes recebiam em outros países. "Era um grande contraste em comparação com o que via no meu país, onde havia muita ignorância, estigmas e falta de remédios", disse. "Foi isso que comoveu meu coração e me motivou a fazer algo por (...) aqueles que tinham extrema necessidade de amor e de carinho", disse. Algum tempo depois, voltou à África, convencida de que os pacientes com HIV e Aids tinham que viver em melhores condições e com a firme decisão de cuidar daqueles que tinham sido rejeitados pela sociedade.


     


    Upendo Village: inícios e atualidade




    Em 2002, quando Ir. Florence conheceu Dom Peter Kairo, atual Arcebispo Emérito, ela já tinha em mente fazer o "Upendo Village", um lugar para pessoas que vivem com HIV e Aids que foram excluídas da sociedade.


     


    “Eu queria que todos os pacientes com HIV e Aids sentissem o amor incondicional de Deus. Eles haviam sido abandonados e aqueles que tinham piedade só lhes jogavam comida, sem sequer ousar se aproximar. Eu queria me aproximar deles e fazer com que sentissem que são amados”, afirmou.


     


    Dom Kairo lhe deu o terreno que tinha sido destinado para a construção de uma escola em Naivasha, pois disse que levantar um centro para pessoas com HIV e Aids “era um grande clamor que precisava ser escutado”.


     


    No início, tinham apenas duas salas de aula abandonadas que eram uma escola de enfermagem. A Congregação das Irmãs Franciscanas de Wheaton, Estados Unidos, ajudaram-lhe a adaptar as instalações às necessidades dos pacientes.


     


    No início, o “Upendo Village” era um programa de alcance comunitário, onde a religiosa, equipada com garrafas térmicas de água morna e mingau, levava os pacientes para suas casas em um carro doado. “Queria banhá-los, alimentá-los com o mingau e contar-lhes sobre o amor de Deus. Alguns se perguntaram por que não tinha medo deles. Depois, lentamente, começaram a se abrir para mim”, disse. “Pouco a pouco, comecei a incentivá-los a ir aos hospitais para receber tratamento”, acrescentou.


     


    Movidos pelas ações de Ir. Florence, membros das pequenas comunidades cristãs da diocese e voluntários de outros grupos se uniram ao programa.


     


    Em 2003, ela criou um grupo de apoio para pessoas com HIV e Aids e realizou a primeira capacitação que atraiu trabalhadores de saúde voluntários. No entanto, a maioria "abandonou o programa quando percebeu que não tinha dinheiro para pagá-los".


     


    Em 2004, uma enfermeira se uniu a “Upendo Village”. “Íamos com a enfermeira com medicamentos para tratar as infecções dos pacientes e também para consertar os quartos escuros que abrigavam os pacientes”, disse Ir. Florence.


     


    O estabelecimento cresceu até chegar a ter um grupo de profissionais completo, uma farmácia, um departamento odontológico, um laboratório, um centro de aconselhamento, um centro de testes voluntários e outros departamentos abertos ao público em geral.


     


    Atualmente, possui uma estação de tratamento de água, onde se realiza um projeto para purificar água e vender, além de uma fazenda modelo onde se ensina a criar galinhas e cabras para ter uma estabilidade econômica.


     


    O projeto também possui programas para crianças vulneráveis, um de nutrição, outro para idosos que cuidam de crianças órfãs e uma Unidade de Prevenção da Transmissão do HIV e Aids de mãe para filho por causa da amamentação.


     


    Em 2014, foram inaugurados o centro administrativo e a moderna estação de água, ocasião que contou com a participação da primeira-dama do Quênia, Margaret Kenyatta.


     


    Fonte: ACI Digital


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